O dia em que o penico de Marcel fez a diferença em minha vida {parte 2}

{Feche os olhos}
 
Estamos na segunda metade do século 20 {um pouco antes e prá sempre depois de 1958}
 
Um caldeirão borbulhento transborda de “expressividade” e de uma vontade gigantesca de experimentar o novo. A produção artística passa a ser inspirada na cultura de massas, com jovens de diferentes lugares do mundo gritando por liberdade de expressão.  Liberdade de representação. 
 
A Arte Contemporânea intensifica a importância  de novos significados e aqui, retomamos a história do penico de Duchamp, que foi rejeitado em uma exposição e entrou para sempre na história! 
 
Esta fase sempre me fascinou pela coragem e irreverência com que os artistas passaram a interagir com a obra e esta com o espectador. Foi assim: 
 
Um grupo de artistas, que se autointitularam “independentes”, se reuniram no Instituto de Arte Contemporânea, em Londres, para estudar e criar uma arte inspirada na cultura de massa. Os artistas passaram a usar os materiais populares, modificando a imagem que todos tinham em vista. Voltaram sua atenção também,  para o próprio meio ambiente, considerando como essencial, a nova percepção do mundo, com o bombardeamento dos sentidos pelas cores e luzes. Assim, a experiência das cenas vividas e dos objetos nela presentes poderiam ser ativadas pelas imagens localizadas e não mais interpretativas. 
 
A Arte Contemporânea apresenta-se como uma arte figurativa, renovada com a forte presença de objetos e símbolos que remetem à vida urbana.
 
O movimento se expande nos Estados Unidos, por apresentar uma indústria publicitária forte que cultuava seus mitos.  A influência do artista franco-americano Marcel Duchamp (1887-1968) revolucionou o panorama das artes visuais com seus “ready-mades” – objetos industrializados construídos com a finalidade prática e não artística (urinol de louça, pá, roda de bicicleta) e que não sofreram transformação formal ao serem elevados à categoria de obra de arte. As obras são abertas, isto é, cada espectador a interpreta e a reconstrói a partir do seu contexto. 
 
Os objetos e todos os materiais utilizados pelos artistas possuem dupla função: exercer atração pela obra e provocar seu estranhamento em relação a ela. Possibilita que o espectador aproprie-se da realidade e perceba a linguagem que a envolve no dia a dia.
 

Já percebeu que, muitas obras nascem da transformação de fragmentos retirados de um determinado contexto urbano?

Que as verdades são construída na mente, que não existe nada permanente ou {para sempre} duradouro? 

 
O que cada um vê e sente em relação à obra é único! Pense nisso.
 
 
* Texto livre retirado do projeto de pesquisa ” A apropriação e o diálogo entre imagens publicitárias na arte contemporânea”, de Denise Padilha.
Fontaine Replica of Marcel Duchamp. Musee Maillol, Paris, France. Crédito da foto: Micha L. Rieser

Denise Padilha

Sou Denise Padilha, formada em Artes Visuais, especialista em Cultura Contemporânea e Marketing, criadora e proprietária da marca denise-se além da moda sustentável, que propõe novos significados, a partir da desconstrução e reconstrução de peças do vestuário, com resgate de memórias surgidas dos contextos que as peças estiveram presentes e das pessoas que as vestiram um dia.